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Contaram-me 34 (O Sadhu – Sobre Religião)



  • Contaram-me 34 - (O Sadhu – Sobre Religião) | 18/02/2011


    Caminhei até Kedarnath, um refúgio nos himalayas, onde existe um templo para Lord Shiva. Fascinante lugar cercado por montanhas cobertas de neve, um furioso rio de origem glaciar cortando a pele da terra, algumas construções para hospedagem e vários animais montanheses.

    Ao redor do templo, vários Sadhus passam o dia envolvidos em rituais, estudos, orações e contemplações. Após visitar o templo, caminhei em direção ao rio para escutar o trovejante som de sua correnteza e dar vazão aos pensamentos que, incessantemente, permeavam a mente. Mas, ao chegar ao rio, encontrei, solitário e calado, um sadhu cujo corpo estava totalmente coberto por cinzas. Era a primeira vez que via uma pessoa assim. Então curioso e inocente, após perceber que minha aproximação não seria impertinente, perguntei:

    - Qual é a sua religião?

    Acredito que ele estava profundamente refletindo sobre alguma coisa, pois virou repentinamente, como se tivesse sido assustado por algo inesperado e, ao mesmo tempo, falou: - o que?

    Então, pedi desculpas pela interrupção e, depois, repeti a pergunta feita anteriormente.

    Ele, desta vez com mais desvelo, observou-me dos pés a cabeça, fitou-me nos olhos por alguns segundos que pareceram meses e, finalmente, contestou:

    - Muitas pessoas dizem que existem várias sendas que levam ao Senhor, o que é, mormente, questionável e, ademais, em tal trilha é quase implícito e amplamente aceito de que a religião é a mais memorável, sublime e correta vereda. Além disso, vejo que você é estrangeiro, apesar de parecer um indiano, principalmente pelas vestimentas e, que pelo fato de que tenho uma aparência distinta, você deve ter claramente concluído que sigo alguma doutrina, correto?

    Com os olhos e um pequeno movimento de cabeça, confirmei a afirmação.

    Então, ele continuou:

    - Muito mais do que religião, do que honestidade, do que integração, do que tolerância, do que justiça e do que amor, o que busco é a verdade e, neste caso, a verdade que revela a unidade de toda a manifestação, ou seja, aquela que resolve a equação de que, apesar da aparente distinção entre o homem, o universo e Deus, existe, em toda esta vasta manifestação, apenas Deus e, neste caso, Deus é a verdade, pois não contradiz a realidade e, ao contrário de muitas doutrinas, une ao invés de separar, ensina ao invés de pregar e liberta ao invés de condicionar.

    Confesso que uma profusão de pensamentos, tão impetuosos quanto às águas do rio que corriam frente aos nossos olhos, invadiram a psique e, imediatamente, quis fazer algumas perguntas, mas, quando pensei em fazê-lo, o Sadhu já estava levantando e, ao juntar as duas mãos, olhou-me nos olhos, disse: - namastê - e, concluiu:

    - Pense sobre o que lhe falei e, se quiseres saber mais, a Índia é o lugar onde encontrarás uma tradição de ensino que, metódica e sistematicamente, revela esta profunda e admirável verdade.

    Depois, caminhou em direção às montanhas enquanto fiquei, por incontáveis minutos, talvez horas, sentado à beira do rio refletindo sobre o que ele havia falado. (Tadany – 22 04 10)

    PS: Para citar este texto:
    Cargnin dos Santos, Tadany. Contaram-me 34. www.tadany.org ®



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